domingo, 22 de maio de 2016

Paternidade Participativa

A experiência da paternidade que estou tendo com minha filha tem sido inexplicável.  Desde a gravidez tenho procurado estar presente em todos os momentos da sua vida. Ainda dentro da barriga era costume conversar, brincar e cantar para ela todas as noites. Depois que ela nasceu eu me envolvi e me preocupei com cada aspecto que pudesse impactar a vida dela, seja a saúde, higiene, alimentação, lazer etc.

E em todo esse tempo o que tenho visto é que existe um certo preconceito e até uma indiferença com a participação dos pais no cuidado dos seus filhos, o que é algo engraçado e estranho porque hoje vivemos em um mundo onde a luta feminista está cada vez mais forte, as mulheres estão assumindo diversos papéis que antes eram exclusivamente masculinos, e estão conseguindo, sendo reconhecidas e incentivadas, e isso é muito bom, mas os homens que assumem o papel de cuidador, que era antes exclusivamente feminino, não encontra apoio, informação e nem valorização ao fazer isso.

Em publicação de 2015 o blog EBC para pais [1] destacou o maior engajamento dos pais contemporâneos no cuidado com os filhos e a desatenção que lhe é dado: "embora o pai se mostre mais engajado durante o período gestacional, algumas instituições de saúde ainda priorizam o binômio mãe-bebê em detrimento do trinômio pai-mãe-bebê".

Aposto que você que é pai já passou por essa situação, você vai com a mãe levar o bebê ao médico e ele só conversa com a mãe, e mesmo que você tente se incluir na conversa acaba ficando de lado. Pereira [2], autora do trabalho discutido em [1] , evidencia esse problema ao dizer: “O pai é ignorado em seu papel de cuidador e excluído do acompanhamento ao crescimento fetal e do nascimento do bebê”.

A Revista Galileu [3] publicou em 2014 uma pesquisa que evidenciava, do ponto de vista neurológico, que o "instinto materno" na verdade é algo que não exclusivo das mães. Pais que estiveram participando ativamente no cuidado dos filhos desenvolveram novas conexões neuronais semelhantes à das mães que já desempenham esse papel.

Então é evidente que os pais tem essa capacidade de ser cuidador, às vezes é difícil, mas se queremos mudar e deixar um mundo mais igualitário para nossos filhos precisamos assumir essa responsabilidade pra valer.

Referências

[1] EBC para pais, disponível em http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/04/paternidade-participativa-o-papel-dos-pais-contemporaneos

[2] PEREIRA, Jamile Peixoto. Da paternidade responsável à paternidade participativa? representações de paternidade na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). 2015.

[2] Revista Galileu, disponível em http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Neurociencia/noticia/2014/05/cerebro-masculino-muda-depois-da-paternidade.html

4 comentários:

  1. Adorei. E acredito que existe preconceito sim. Poucos pais se dispõem a participar ativamente dos processos de desenvolvimento da criança. E os que conseguem podem contribuir consideravelmente para que esse tabu seja quebrado.
    Espero que muitos pais um dia possam ser conscientes que sua participação no cuidado é muito, muito importante e valorosa.

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  2. Apoiado Renato,concordo plenamente com você e você é um excelente pai, lute pelo seu direito de paternidade participativa e acabe com esse preconceito.

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  3. Apoiado Renato,concordo plenamente com você e você é um excelente pai, lute pelo seu direito de paternidade participativa e acabe com esse preconceito.

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  4. No CAIC o funcionário que ficava na entrada dos consultórios ficava por várias vezes tentando barrar a entrada de quem fosse que estivesse acompanhando a mãe e a criança, até mesmo os pais. Aliás era raro eu ver algum outro pai ali.

    Eu acho que ainda falta muito os homens perceberem como o machismo que rege nossa cultura é maléfico a todos, oprime e exclui os próprios homens também em várias ocasiões.

    Continuando o relato... E claro que dentro do consultório a primeira fala da pedriatra "Então, MÃE, o que está acontecendo com a criança?"

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